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Feto: Homenagem ao Venom neste sábado


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No dia 16/02, o Feto irá se apresentar em um dos festivais mais tradicionais do RS, o Storm Festival, ao lado da lenda Amen Corner. Vocês estão preparando algum set especial para este dia?
JZ
: Dale tchê! Como estás? Aqui tocando o barco loco velho! Apresentar-se no Storm é um sonho da nossa parte com certeza, sem dúvida é o festival que está mais bem fundamentado e organizado no estado do RS. O Leo é bucha, mantém a coisa no nível superior há alguns anos. Acho que para coroar nossos 20 anos de amizade, juntamentos, bebedeiras e muito Venom, nada melhor que um set list especial. Esse show ganhou o nome de “Drunk Date of Hell” em homenagem ao Venom então vocês podem imaginar que virão covers do Venom com certeza. Quem for ao show saberá o que vai rolar, até lá segredo de estado e as chaves do cofre o sentinela bêbado perdeu (risos).

Vocês irão dividir o palco com uma das lendas do Metal extremo mundial, rola algum tipo de ansiedade ou vocês já estão acostumados com este tipo de pressão?
JZ
: Apresentar-se ao lado do Amen Corner… Tchê, me lembro de quando o Bones, nosso batera, chegou em 1997 com uma fitinha dos caras em uma pensão em que morávamos em Pelotas. Quando começou aquela intro “On the Throne of Lucifer”, fiquei fascinado com aquilo, achava uma das coisas mais fodas que já havia escutado. Há alguns meses atrás entrei em contato com o Sucoth, que é um irmão mais velho no final das contas e bom começamos a tratar sobre fazer um show no RS. Logo o Leo assumiu a bronca de fazer isso acontecer, e eu fiquei ajudando no que posso na retaguarda. Sobre tocar com uma lenda: Frio na barriga, vontade de bangear muito e coisa de fã todo meu material do Amen Corner autografado (risos). Vai ficar na história, quem estiver lá verá que será uma das melhores edições do Storm com certeza se tudo correr bem. Abro um parêntese de igual importância é dividir o palco com os irmãos da Symphony Draconis. Os caras realmente sabem fazer Black Metal e bom, são meus amigos de muitos e muitos anos, então escutar a formação nova, acredito que tocando sons novos será extremamente foda! O Rodrigo Thiernox sempre me acompanhou e apoiou nos projetos que levava adiante, então nossa relação já ultrapassou o ponto de retorno. Vai ser foda!

O Feto pratica um Heavy Metal bem old school, muito parecido com o que o Venom fazia nos anos 80. Como é para vocês fazerem este tipo de som no Brasil, sendo que para muitos o estilo não é bem visto?
JZ
: Tchê, boa pergunta: tu lês nas entrevistas “curto Venom”, “curto Hellhammer/Celtic Frost”, “curto Bathory” e coisas do tipo e paradoxalmente tu não vês bandas praticando isso. Alguns dizem que tem influências no som e tu vai escutar não acha nada. Eu poderia dizer o seguinte: ou tem muita gente enganada quanto a essas bandas e aos anos 80, ou tem muita gente escondendo o jogo. Eu posso te dizer por nós: fazemos o que nos agrada e claro que gostaríamos da aceitação, mas se não vem, também não esquentamos muito. Vamos seguir os mesmos e fazendo a mesma coisa de sempre. Somos velhos o suficiente para saber das ondas do Metal. Normalmente essas ondas levam as árvores que não tem raízes. Um aspecto positivo é que esse tipo de som é muito difundido na Europa, principalmente. Pequenos selos e gravadoras dão ênfase a esse estilo por lá, o que não é visto aqui, infelizmente. Eu posso te dizer que no Brasil algumas bandas tem essa prática mais fiel: Whipstriker, Thrashera, Morterix (segunda fase da banda), Decimator (Thrash de raiz, já fazia isso muito antes da onda revival Thrash anos 80, em alguns momentos com algo mais Death ). Acho que a maior representante desse estilo no Brasil é o Whipstriker, os caras são fodas e mandam bem anos 80 mesmo, Metal extremo de raiz com algo Rock e algo Punk. Também tem o Apokalyptic Raids que é macaco velho na estrada e que são fodas, mas eu já acho uma evolução do estilo inicial, um passo adiante em relação ao que estou tentando conceituar (talvez a Decimator se enquadre aqui também), mas o A.R. faz isso há tanto tempo, bem antes de alguém pensar em chamar isso de “old school”, que não é possível dizer “old school”. Isso é o diferencial deles acho, não fazem parte da onda “revival”, assim como eu acho que nós também não fazemos, por que nosso pensamento já vem de longa data assim, nada novo no front. No fim, eu procuro não julgar muito que os outros fazem, respeito tudo e todos, pois acredito no “faça o que quiser, pois está tudo na lei” de Crowley (mesmo que não goste de um monte de coisas que tem por aí). Somos traíras velhas, ficamos no fundo do rio, escondidos na escuridão, olhando apenas, vendo o tempo e a água passarem e os lambaris serem pescados.

Vocês estão na ativa desde 1992, porém só em 2012 lançaram seu 1° material, a demo “Padulas Hell’s Ladies”, tem algum motivo especifico para esta demora?
JZ
: Ativa é um termo difícil de ser usado no nosso caso – juntamentos, bebedeiras, alguns protótipos de ensaios, milhares de reuniões não podem ser considerados atividades, pelo menos de certa forma. No entanto, o espírito se manteve vivo durante todo esse período, em virtude da amizade e da vontade de fazer algo que estivesse de acordo com o que acreditamos. Acho que no nosso caso quando a gente diz – “since 1992”, sinaliza o início de uma grande amizade e de um grande sonho. Posso te dizer que o dinheiro foi o maior inimigo nosso acho. Ninguém tinha grana para nada e Jaguarão, não tinha Metal, posso te garantir com uma pequena margem de erro, que éramos nós e somos nós ainda os representantes do Metal na cidade. A cidade é pequena e distante, 150 km da cidade grande mais próxima que é Pelotas. Quando se conseguia alguma coisa era uma festa, com certeza os nossos primeiros vinis sofreram com o desgaste e fitinhas então, era uma ode a destruição. Uma garrafa de canha, uma curtida de butiá na casa do Antt, nosso baixista (é nosso QG até hoje) e o pau comendo no quarto 2×2. Depois saímos para estudar e trabalhar e bom, ficou ainda pior a situação. Nesse meio tempo tive a oportunidade de começar uma banda “valendo” em Rio Grande, em 2001, a Seth Domain, com uma temática e sonoridade bem diferente, Black Metal voltado ao Venom, Sarcófago, Bathory, Maniac Butcher, Darkthrone, Mayhem, entre outras bandas. Isso serviu para conhecer todos meus amigos na essência da palavra, e meu amigo e irmão de sempre Jaifer “Gelydus” o homem que não sorri nunca (nosso guitarrista também). No vazio deixado pela Seth Domain, pela parada das suas atividades, nos reunimos eu e ele em Porto Alegre, e realmente começamos a pensar em fazer algo mais voltado a raiz. Emails, meses esperando e vamos ver o que acontece dessa vez. Depois com grana tudo se resolveu, hoje a maioria do pessoal tem sua grana e conseguimos virar a máquina mesmo que devagar, após muito tempo passado. Acho que se fossem me pedir um resumo da história da banda seria: um disco: “At War With Satan” e com ele uma ideia de banda… Bebemos tudo que podíamos, milhares de garrafas vazias e bom, já era hora de deixarmos o bolicho de lado, e ir fazer algo como acreditávamos que deveria ser feito desde o inicio. Não fazemos o old school por que queremos, e sim por que para nós soa tão verdadeiro como há 20 anos. É o que escutamos de forma preferencialmente há tantos anos que alguns sons, discos e fitas são parte da família. O dia que não acreditar mais nisso provavelmente deixamos de fazer Metal e voltamos ao bolicho apenas.

“Padulas Hell’s Ladies” foi lançado em fita k7 fora do Brasil, poderia nos contar como surgiu está oportunidade?
JZ
: A oportunidade do tape lançado na França veio através da Thrashera do nosso amigo Chakal, um batalhador do underground! Ele apresentou o Pascal do Orstid Latem, outro apoiador do underground mundial e o filho finalmente nasceu. Acho que é isso, simples assim ehehe. Muito obrigado ao Chakal e ao Pascal (MASTER!) por acreditarem na gente. Esses são “leprosos” mesmo. Talvez se não fossem eles não poderíamos realizar esse sonho.

Uma curiosidade que tenho, é a grande influência que o Venom tem sobre o Feto, pois até o logotipo é bem parecido, sendo possível confundir ambos. Como vocês chegaram nesse consenso de “soar” como o Venom? Esta influência já atrapalhou a banda em algum momento?
JZ
: Tchê, vamos por partes (risos). Quem confunde a imagem e os logos não conhece o Venom real, é inadmissível a confusão (risos). A língua do bode, a face do bode, o logo são diferentes apesar de remeterem com toda certeza ao Venom. Embaixo diz “Drunk Metal”, se o cara diz que conhece Venom, no mínimo ele iria perguntar, “puta merda nunca ouvi algo do Venom “Drunk Metal””, nesse caso a lógica impera. Acho sinceramente que lembra muito apesar da minha ironia, mas é uma homenagem, nunca houve consenso tipo “tem que ser assim”, a gente simplesmente pensa, ou sempre pensou que seria assim e não se cogita algo diferente. Eu acho que é isso. A parte gráfica sempre foi meu irmão Blackpest (guitarra) que mexeu e essa ideia é dele, até quando eu tenho ideias, comento com ele para ver o que ele diz. O logo que remete ao Venom foi ideia dele, até onde me lembro, muitíssimo antes do Feto se tornar algo mais sério. Se soa como Venom eu sinceramente acho que em algumas músicas soa, mas até não é tanto como poderia, deveria ou gostaria (às vezes). Nada forçado, simplesmente chega lá e mete fogo e vê o que sai dali. Eu ainda trabalho com o sistema de letras, costumo pensar em letras antes, temas que sejam interessantes, histórias nossas e bom, às vezes isso é menos Venom, ou o tipo de riff não é “Mantas´s Riff”. A música “Weapons” eu pensei em cima de uma letra que o Bones (batera) enviou, e eu viajava imaginando o Tom Araya gritando no começo e bom, daí para frente virou outra coisa, apesar de que no meio fazemos uma homenagem ao Venom. Enfim, homenagens a essas bandas nunca são demais e deveriam ser mais realizadas. São homenagens, não são paródias e nem tem a ideia de desrespeitar os caras, ao contrário, é um forma de representar o quanto eles foram, são e serão importantes na nossa vida.

E quais são os planos futuros da banda para 2013, vocês já tem em mente algum sucessor de “Padulas Hell’s Ladies”?
JZ
: Tchê este ano promete. Primeiro: lançamento de um vinil com o áudio do nosso primeiro show em 20 anos “DRUNKULT ALIVE- The First Drunkness”. Segundo: realizar um festival para o lançamento dos outros 3 tipos de cerveja “Drunkult” (fenômeno, te digo, vão ser fodas!). Terceiro: lançar um EP: “DRUNK METAL” com músicas novas todas já meio pensadas, algo executadas e que logo após o show de fevereiro serão postas em prática. Quarto: lançamento de um tape na Ásia com o áudio ao vivo comentado acima. Quinto: lançamento de uma camiseta voltada para os fãs asiáticos por uma empresa de lá mesmo. Ainda tem outras situações acontecendo que à medida que vão nascendo a gente vai ir avisando o pessoal. A gente ”quer zoar o barraco” como disse o cara no DVD do Gangrena Gasosa, ganhar dinheiro com Metal é uma heresia, estamos nessa pelos amigos e pela diversão.

Bom o tempo é curto, e gostaria de agradecer pela exclusiva e deixo o espaço final á você.
JZ
: Renato eu queria agradecer o apoio de primeira hora! Valeu a força e a oportunidade dada para a banda de conversar contigo e com o pessoal. É nossa primeira entrevista. Como diria o Hellhammer “Only Death is Real”. Nesse meio tempo enquanto não morremos, vamos escutar e tocar Metal e deixar de frescura com superproduções que tiram o tesão, o tal feeling da música. Queria deixar um abraço especial a quem nos acompanha e curte nosso som, aos “Leprosos de Sempre” (nossos fiéis amigos e seguidores) que estão sempre com a gente, mundo afora.

All Hails 80´s – “JOIN THE DRUNKULT”

Por Renato Sanson
Revisão e edição:
Maicon Leite

Entrevistas · News

Postado em/Posted on fevereiro 12th, 2013 @ 12:05 | 615 views



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